Eba, acabou de sair o ebook “Mídias sociais e eleições 2010“. O ebook colaborativo conta com um artigo escrito por mim e pela Ana Maria Bicca. Nele, exploramos a interação e mobilização nos sites de redes sociais criados pelos principais presidenciáveis. Quem quiser conhecer um pouco mais, segue um breve resumo sobre o ebook (disponibilizado pelos organizador), já disponível para download.

As eleições brasileiras do último ano representaram um marco do ponto de vista da comunicação digital. Para retratar e discutir esse momento, pesquisadores e profissionais de todo o país estão reunidos no ebook Mídias Sociais e Eleições 2010, que acaba de ser lançado gratuitamente. A publicação, que pode ser acessada no link www.slideshare.net/papercliq/midias-sociais-e-eleicoes-2010, reúne artigos diversificados, que examinam o papel das mídias sociais em processos eleitorais, destacando assuntos como o monitoramento online, a influência da campanha de Obama, a cobertura jornalística e os papéis do entretenimento, da militância e dos blogueiros em torno dos candidatos.

Ao longo da publicação, é possível acompanhar as reflexões de nomes como Martha Gabriel (autora de livros como Marketing na Era Digital), Carlos Manhanelli (autor de livros como Marketing Eleitoral – O Passo a Passo dos Nascimento de um Candidato). Gil Castillo (consultora política e editora do site http://marketingpolitico.com.br), Leandro Mazzini (consultor e autor do livro Corra que a Política vem Aí) e Murillo de Aragão (cientista político e autor do livro Grupos de Pressão no Congresso Nacional). Organizado em parceria com os pesquisadores Nina Santos e Ruan Brito, o ebook Mídias Sociais e Eleições 2010 é o segundo lançado com a licença creative commons pela PaperCliQ, agência de comunicação digital.


Já é algo que  todo mundo não duvida mais e tem conhecimento: uma coisa (seja ela boa ou ruim) sobre uma marca se espalha com muita facilidade e muito mais rápido pela web, mais precisamente pelas redes sociais. Quando é algo bom, uma ação, por exemplo, que ótimo! Mas quando é algo ruim, algo que pode colocar em risco a imagem da marca?

Para perceber essas situações, uma coisa é muito importante nos departamentos de comunicação e marketing de uma empresa: monitoramento das conversações em redes sociais. Primeiro, por uma questão estratégica básica: identificar o quanto antes quando alguma coisa está provocando muitos comentários negativos; segunda, para saber que tipo de tom isso está ganhando e saber como agir.

No meu trabalho diário de monitoramento de uma marca, encontrei um caso que é mais um ótimo exemplo para isso, como Não Conte Comigo e Meu Carro Falha (são vários, mas apenas para destacar os mais recentes). A Arezzo, conhecida marca de calçados e acessórios femininos, tem um volume diário muito grande de menções de usuárias em tweets e blogs, tanto por blogueiras mais conhecidas fazendo reviews de algum produto ou consumidoras que não tem lá um pagerank considerado pelas marcas como relevante. Mas sim, são MUITO relevantes. Pode ser de uma usuária ‘normal’ que um post vá ganhar grandes dimensões na web. Com esse volume de informações, a Arezzo pode 1) extrair a recepção de seus produtos, 2)destacar o que pode ser melhorado e/ou continuado e 3)percepeber uma possível crise de imagem quando alguém vai além do ‘não gostei desse sapato’ ou ‘que salto horrível’.

A jornalista Fabiane Ariello postou uma crítica em forma de desabafo no seu blog em outubro de 2010. O motivo foi constatar que o sapato caro que ela comprou da marca se desmanchou e era, na verdade, pano pintado de couro (resposta do sapateiro) e que podia comprá-los por 40 reais no Paraguai onde não teria o mesmo péssimo tratamento. O texto completo sobre o caso pode ser lido aqui.

Bom, de outubro até agora, são 713 comentários, muitos compartilhando sensações parecidas e outros ajudando a espalhar o ocorrido. Posts no Twitter falando sobre esse caso também são muito comuns além de replicarem em blogs. Aliás, curioso ficou a search para Arezzo no Google. Basta procurar por “Querida Arezzo” no site que ninguém vai achar nas primeiras páginas algo legal sobre a marca.

Como monitoro sobre uma marca de sapatos e Arezzo é uma das concorrentes, acabo acompanhando as menções em redes sociais e agora, mais ainda, acompanho esse post. Mais por uma inqueitação particular: a Arezzo não se manifestou sobre isso. Muito ruim para uma marca.  Com certeza, eles têm um bom departamento com analistas de redes sociais, mas, até agora, ninguém falou algo oficialmente sobre esse caso, nem mandou esclarecimentos para a usuária.

Aí parece que monitoramento para muitas empresas ainda não faz sentido ou ainda não é levado a sério. O que esão falando sobre minha marca? Eu realmente sei identificar? Sei compreender? Por que é tão importante participar das conversações diárias dos usuários sobre minha marca?

Ferramentas para monitoramento existem milhares, inclusive free. Mas o que eu faço com elas? O que eu identifico com ela? O que eu posso reportar com elas? Elas podem oferecer muita coisa para uma marca, na maioria das vezes, implicar numa mudança de cima para baixo, mas se a marca não está querendo mudar ou levar em conta o que estão falando dela, fica difícil.

Para completar, tem um post bem bacana com 10 razões para monitorar mídias sociais. Críticas e gerenciar crises, claro, estão lá.

UPDATE 02/05/11:  Eita, se não bastasse isso, a Arezzo se viu em meio a um mar de comentários negativos por causa do uso de peles verdadeiras em sua coleção. Como outras marcas entraram no bolo de boicote online dos usuários, vou providenciar um update sobre isso. Aliás, li um artigo muito interessante que se encaixa no caso dessa moça que deu origem a esse post: “O Desconhecido Potencial dos Desconhecidos“. Vale a leitura!


Estamos realmente obcecados pelo Facebook? Obcecados em relação ao uso ou em tentar descrevê-lo? Às vezes, mais do que entender as práticas dos usuários, a obsessão é para saber qual é a de Mark Zuckerberg. Dentro dessa linha, esse texto, publicado na revista Piauí, tenta desesperadamente desmerecer a “Geração Facebook”. Cheio de clichês, quem é adepto da onda 1.0 vai adorar mais uma pessoa que dá voz ao coro. Já expressei no próprio Facebook que, além de ser chato, o texto não se prende em algo real, e sim, em discursos batidos, como você já percebeu que sua vida passa no seu Mural? ou se as pessoas realmente quisessem dar oi elas iriam até seus amigos pessoalmente (aliás, sobre isso, tenho um próximo post em mente).

O fato é que nós, brasileiros, ainda não conseguimos ter a real noção do impacto do Facebook, diferente dos norteamericanos, por exemplo. Ainda somos poucos usando a rede, quer vocês queiram ou não, o Orkut ainda é dono do maior tráfego de pessoas numa rede social, ou seja, ou hábitos lá fora não podem ser os mesmos daqui.

Mas, vendo atualizações no Facebook, encontrei esse ótimo vídeo, The Facebook Obsession. Queria acordar um dia nos EUA para fazer parte desses números loucos, desses números que são a nossa realidade e não adianta bater o pé.


A breve história do século XXI de Thomas Friedman colocou em pauta sua teoria do mundo plano, que, muito provavelmente, não foi ele o primeiro a se questionar, mas, sabiamente, o primeiro a cunhar uma expressão vendável, “o mundo é plano”.

A Globalização 3.0 que o autor fala, mais poderosa e dinâmica que as outras formas de globalização, já que esta é compreendida por atores sociais ao redor do planeta, provocou um achatamento e encolhimento do mundo. O que Friedman apresenta é que formas de compra, comércio, transporte, economia, cultura e (o que mais nos interessa aqui) a comunicação estão sendo presenciados de uma maneira que permite afirmar que o mundo é está planificado.

“Não se trata simplesmente de como governos, empresas e pessoas se comunicam, nem de como as organizações interagem, mas da emergência de modelos sociais, políticos e empresarias inéditos”.

O gênese dessa nova globalização estaria centrado em dez forças que contribuíram para o achatamento. Duas delas, importantes quando falamos em comunicação em mídias sociais, são a Conectividade e o Uploading. O primeiro termo se refere à conectividade global proporcionada pela abertura da internet, junto com o browser Netscape e a rede de alcance global, a World Wide Web.

“A mudança de hábitos ocorre mais rápido quando tem um bom motivo para acontecer. E todo mundo tem uma necessidade inata de se relacionar com os outros. Quando surge uma forma de as pessoas se ligarem entre si, elas superam qualquer barreira técnica, aprendem novas linguagens. Temos um desejo inerente de nos conectarmos ao demais, nos irritamos quando não conseguimos. Por isso o Netscape abriu o código”.

A explosão da internet comercial, a popularização dos PCs e de sistemas operacionais como o Windows e uma interface amigável com o hipertexto da web conectou o mundo, forçando digitalizar tudo o que pode ser digitalizável.

Já o Uploading vai ao encontro da já conhecida e explorada web 2.0, que conecta as pessoas ao redor do mundo, permitindo que as mesmas expressem-se em comunidades na rede, interajam e produzam seus próprios conteúdos, se tornem emissores. O uploading refere-se à comunicação mediada por computador, ao paradigma todos para todos, à ausência de hierarquias de comunicação, às mídias sociais. A possibilidade de manter um blog e poder reunir uma rede ao redor do mesmo, sem conhecer nenhum dos interlocutores e estando, fisicamente, muito distante deles, a possibilidade de enviar conteúdo e escolher como se quer receber, além de reconfigurar a forma de consumir produtos culturais, como remixando e criando uma nova cultura, enfrentando, assim, velhas e conservadoras instituições.

Além de colocar um poder nunca antes visto nas mãos de indivíduos comuns, o uploading, puxado pelas mídias sociais, está fomentando o surgimento de grandes e importantes contribuições na forma de colaboração e inteligência coletiva, permitindo uma nova forma de comunicação em que o indivíduo participa do processo comunicativo e ajuda a produzir um conteúdo do interesse de sua comunidade (crowdsourcing), transforma as estratégias de marketing e deixa claro que quer ser reconhecido e ouvido como pessoa, não apenas consumidor.

Afinal, se o mundo é plano, nada mais errado do que acreditar ainda que as pessoas comuns não são produtores e divulgadores de conteúdo. Na internet, todo mundo tem o mesmo espaço. Isso não é mais tendência. É o presente.


O tema é complexo. Ele divide-se em vários outros subtítulos, por isso, aos poucos vamos escrever sobre isso. E por quê? Queremos citar exemplos, buscar histórias e entender a realidade. Há quem ainda pense que a Web prejudicou a relação entre fãs e artistas. Isso porque, no começo da década, um universitário resolveu criar um programa chamado Napster, comprando uma briga com a indústria fonográfica. E artistas como a banda Metallica e o rapper Dr. Dre compraram briga, indiretamente, com seus fãs que estavam baixando suas músicas em formato mp3. Depois vieram os torrents, o aumento da velocidade da internet  e a explosão das mídias sociais: blogs para compartilhar conteúdo e comunidades para trocar discografias de bandas preferidas.

A pesquisadora Raquel Recuero afirma que as redes sociais têm potencial para colaboração, difusão de informações e construção de novos valores sociais.  As novas tecnologias de comunicação e informação transformaram as formas de colaboração.

Mas, enquanto algumas pessoas continuam insistindo que a Web está prejudicando a indústria da música, a rede que se forma entre fãs e e artistas está cada vez mais forte. A banda Arctic Monkeys já é um exemplo bem manjado, mas uma grande referência de como uma banda de MySpace pode chegar ao mainstream. No Brasil, por exemplo, a banda gaúcha Fresno consolidou sua base de fãs na Internet, primeiro passo fundamental para conseguir o sucesso que desfruta hoje.

E foi justamente outra cantora vinda do MySpace que gravou, no começo do ano, um clipe com a ajuda de vários fãs. Duas mil pessoas do Reino Unido foram convidadas para participar de uma versão do clipe “The Fear”.

Lily Allen “The Fear.” mk II from phil tidy on Vimeo.

Colaboração em redes sociais entre fãs e artistas é deixar de lado as gravadoras e voltar a estabelecer um relacionamento com os fãs, não apenas um ciclo com um produto destinado para uma compra. E é isso que muitas bandas novas estão descobrindo com as mídias sociais; é assim que muitas delas podem construir a carreira contando com o apoio de muita gente.


Este texto foi publicado originalmente aqui, no blog da Faculdade Anglo-Americano, de Caxias do Sul, que eu colaboro com conteúdo. É um post sobre internet x concentração, absorção de conteúdo na web e leituras, tendo por base o pensamento de Nicholas Carr.

Quando Nicholas Carr lançou o livro A grande mudança: reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google, uma nova visão sobre o mundo conectado era lançada. O autor compara o significado social e econômico da Internet nos tempos atuais com o impacto da eletricidade na Revolução Industrial.

O ritmo de vida mudou, a economia agora baseia-se em aplicações virtuais e, de acordo com o autor, o futuro da informática é a computação em nuvem, ou seja, tudo o que precisamos será sinônimo de Internet, não haverá necessidade de um disco rígido. E, para isso, ele cita como exemplo o Google. E é nesse site que a maioria das informações que precisamos está. Aliás, quem já não ouviu ou falou a expressão “dá um Google”, em algum momento em que alguém não sabia ou faltava alguma informação?

Mas aqui, Carr só estava falando do impacto econômico e social. Porém, no ano passado, ele lançou o livro The Shallows What the Internet is doing to our brains (algo como “No Raso O que a Internet está fazendo como nossos cérebros”, sem tradução ainda para o português), e é nessa obra que ele reúne críticas sobre o desenvolvimento da cultura digital e como ela pode transformar diversos aspectos de nossa vida.

O longo argumento de Carr é que a facilidade que encontramos as coisas na web está nos deixando burros, sem uma capacidade de assimilar e interpretar as coisas, ou seja, nosso cérebro reage superficialmente à vasta quantidade de informações diárias. Será? Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o autor afirma que alguns serviços online tiram a concentração e a capacidade de refletir. Ele reconhece que a Internet, assim como tecnologias anteriores, amplifica nossa mente, mas também, a longo prazo, sacrifica outras coisas importantes, como nossa memória, que deixa de guardar coisas importantes, pois elas estão online para quando precisarmos.

E ele questiona: estamos deixando de lado livros e uma leitura profunda para lermos pinceladas de informações na web? Dá até pra fazer um exercício rápido: pense nas coisas mais importantes que você leu hoje. Aquilo que vem na memória, em qual suporte foi lido?

Por mais que possamos estar em direção a uma comunicação visual, nosso processo de aprendizagem ainda é baseado na reflexão, e não na superficialidade, por isso, aproveite esses tempos de folga para ler algum livro de seu interesse e ajudar com a saúde de sua memória! Aliás, para quem já deixou de lado suportes físicos, quando estiver lendo artigos e informações importantes no computador, deixe um pouco de lado ferramentas de bate-papo, por exemplo, isso também ajuda na sua concentração!

🙂


Meu primeiro flerte com o Crowdfunding foi quando eu escrevi esse texto sobre o pessoal que estava tentando trazer um show do Belle and Sebastian para o Brasil.
Engano.
Eu já conhecia uma plataforma crowdfunding, o Flattr, um projeto do Peter Sunde, um dos fundadores do Pirate Bay. Depois que o tracker foi vendido, Sunde começou a trabalhar nesse projeto justamente para fugir da perseguição da indústria do copyright. Em poucas palavras, no Flattr você pode divulgar seu projeto e ainda receber por isso, dependendo de quanto do pedaço do ‘bolo’ total de usuários for dividido para cada um.


Eu, que já estou há um tempo estudando questões como direito autoral, indústria do entretenimento x tecnologia e práticas culturais, via no Flattr um espaço em que artistas pudessem estar em contato com o público diretamente, sem intermediadores, além, claro, de serem recompensados devidamente pelo seu trabalho, que envolve participação e colaboração de todos em rede. Bingo! Fechamos o longo parênteses. Isso é Crowdfunding.

Vamos lá: Crowdfunding, também chamado de crowd financing ou crowd sourced capital, é quando pessoas em rede recompensam financeiramente iniciativas e projetos de outras pessoas ou empresas.  E projetos dos mais variados tipos podem fazer uso do crowdfunding, não apenas artistas em busca de fãs e público, que era a minha realidade mais próxima por causa dos meus interesses de pesquisa, pequenos negócios, startups, jornalismo colaborativo, e por aí vai.

Hoje, eu descobri o Crowdfunding Brasil, um grupo nacional para disseminar essa ideia. Sim, porque você sabe, no Brasil as coisas demoram para caminhar. Andei lendo os posts do pessoal do grupo e tem muita coisa bacana; além deles falarem também sobre o episódio do Belle&Sebastian e sobre o Flattr. Bom ver que tem um pessoal antenado nisso, CRIANDO e fazendo um barulhinho. Eu realmente queria ver uma (várias!) histórias de projetos baseados nisso dando certo, principalmente na área musical. Mas, como já comentei, não se restringe a isso, inclusive, tem um vídeo explicando o Catarse, uma plataforma nacional para trabalhos em crowdfunding.Algo para ficar de olho. Eu, como pesquisadora de práticas culturais na internet wannabe, ficarei de olho.

Bacana isso, né?

Eu sou muito apaixonada pela colaboração online. Conectados em rede, já balançamos muito o mundo, ainda podemos mais. E é por isso que eu reafirmo, do it with others é o novo do it yourself. 🙂

P.s: Vai ser cdf? Então, dá uma olhada nesses comentários sobre o primeiro livro nessa área.