Vamos trazer um show juntos?

08out10

Colocar a América do Sul, mais precisamente o Brasil, na rota da turnê mundial de uma banda,  já  é difícil. Colocar uma cidade como Porto Alegre na agenda, junto com a confirmada São Paulo, é alegria infinita dos fãs da ‘província’.

Mas vamos pensar. Fora Paul McCartney, que outro artista/ banda internacional esgotaria 70% dos ingressos num único dia numa cidade como Porto Alegre? É, amigo, não sei como funciona o mercado e o público de shows no grande centro do país, mas aqui as pessoas choram para pagar o valor de um ingresso, valor esse que gastam em 4 horas numa balada ( o que aumenta minha tese de que as pessoas preferem ‘sair e  pegar’ a curtir um show), se rastejam por cortesias e área VIP ou simplesmente preferem ouvir música em casa. Ok, mas o mercado musical vive de shows, da execução ao vivo daquilo que você baixou, eu diria também.

E se a banda for para um público restrito? Aí se coloque no lugar de produtoras que vendem esse show. Se não tem um bom patrocínio por trás, arcar com o prejuízo?

Mas esse mundo lindo que é o ciberespaço, essas pessoas lindas que são os seres humanos sedentos por música e colaboração e essas possibilidades infinitas que as mídias sociais proporcionam me deixaram com uma pulga atrás da orelha esses dias. Li um post sobre a mobilização de fãs para trazer uma banda pouco conhecida para o Brasil, no caso, Miike Snow (que também passou por POA!). Como funciona? Os fãs financiam o show para que ele possa acontecer. Na real, financiamento não é novidade. Os fãs da banda Marillion contribuíram financeiramente para a gravação do álbum Marbles, lançado em 2004, recebendo em casa o material que ajudaram a produzir, que possuía três versões diferentes: duas versões duplas, diferenciadas no acabamento e encartes, e uma versão simples, com um número reduzido de canções.

Pois bem, agora é a vez do Belle & Sebastian. Sim, BELLE & SEBASTIAN (fã mode on). E tem um bafafá que Porto Alegre está no meio. Gaúchos, vamos trazer juntos uma banda para cá e parar com essa reclamação de ‘produtoras, tragam tal banda?’. Acho fantástico e genial essa mobilização que, antes de tudo, é mais um exemplo de colaboração, começando no online para refletir no offline.  Só digo uma, tô dentro. São casos como esse que me fazem ler o Lúcio Ribeiro, por exemplo.

Aliás, mais de colaboração entre fãs e bandas. Em 2000, o Smashing Pumpkins produziu apenas 25 cópias do Machina II/The Friends & Enemies of Modern Music. O disco é a sequência do Machina/The Machines of God, lançado pela gravadora da banda, a Virgin. O material havia ficado de fora e não foi aceito pelos produtores, fazendo Billy Corgan gravar apenas 25 cópias do disco (em vinil) e entregar a amigos e fãs de destaque na comunidade online, com instruções para copiá-lo e distribuí-lo imediatamente na internet.

Já diria o mestre Pierre Lévy, “o trabalho cada vez mais se baseia em conhecimento e informação, e na capacidade de interagir em rede, de onde advém a necessidade de cooperar e colaborar”.

Minha gente, o mundo é feito dessas pessoas adoráveis que desafiam o próprio mundo e que acordam todos os dias querendo uma coisa diferente. Eu sou uma delas. Vou me juntar a esse povo and write about love.

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One Response to “Vamos trazer um show juntos?”


  1. 1 Crowdfunding: do it with others | mas é obvio...

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